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sábado, 10 de dezembro de 2011

Água potável e casas de banho para reduzir pobreza e mortalidade


A instalação de casas de banho e o fornecimento de água potável nos países mais desfavorecidos é o meio mais seguro de reduzir a pobreza e melhorar a saúde pública, segundo um relatório das Nações Unidas publicado domingo."Os problemas de água provocados largamente pela gritante ausência de casas de banho adequadas em vários locais, contribui enormemente para os problemas mais sérios, entre eles a estreita relação entre o mau estado de saúde e a pobreza crónica", sublinhou Zafar Adeel, director da rede internacional de água, do ambiente e da saúde da Universidade das Nações Unidas, com sede no Canadá. Perto de 900 milhões de pessoas em todo o Mundo não têm acesso a água potável e 2,5 mil milhões vivem sem casas de banho adequadas. Destas últimas, 80% residem em zonas rurais. Segundo as Nações Unidas, 10% das doenças no Mundo são atribuíveis ao consumo de água insalubre, à falta de casas de banho e de higiene, provocando mais de 3,5 milhões de mortes em 2002. Cerca de quatro mil milhões de pessoas contraem diarreias todos os anos e 1,4 milhões de crianças com menos de cinco anos acabam por morrer, apesar de 94% desses casos serem evitáveis. As diarreias crónicas podem levar à má nutrição entre os mais jovens, tornando-os mais susceptíveis a outras doenças, que causam 860.000 mortes todos os anos, segundo as Nações Unidas. A simples melhoria de acesso à água potável, a casas de banho e ao facto de se lavar as mãos com sabão pode reduzir em 25% a taxa de doenças que resultam da falta de higiene. Este relatório foi publicado no início de uma conferência internacional de dois dias organizada pela ONU em Hamilton, no Canadá, durante a qual vários peritos vão apresentar soluções para os problemas sanitários.

domingo, 9 de outubro de 2011

Melhorias na qualidade de vida - Saneamento básico



Não adianta pensarmos em grandes obras para melhoria da qualidade de vida da população se ainda não temos o básico, conforme previsto na Lei nº 11.445 de 2007, que estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico no Brasil, que passa a ser regulada pelo decreto 7.217 de 21 de junho de 2010, publicado no Diário Oficial da União.


 Na cidade já foram realizadas na gestão atual vários investimentos na saúde pública com verbas do governo federal destinadas a reforma, melhorias, contratações e manutenção de funcionários do PACS e PSF. Mas para que tenhamos saúde 100% faz-se necessário resolver problemas que estão passando despercebidos  por nossos governantes ou ainda não tiveram verbas destinadas a esse fim. Não adianta prédios bonitos se ainda temos em nossa cidade esgoto a céu aberto residências lançando esgoto em córregos ou diretamente no Rio Doce.

O decreto visa estabelecer os padrões e as normas para a adequada prestação dos serviços de saneamento básico para a satisfação dos usuários.  Fixar condições e metas. Além de prevenir e reprimir o abuso do poder econômico, ressalvada a competência dos órgãos integrantes do sistema nacional de defesa da concorrência.

A definição das tarifas e outros preços públicos devem assegurar tanto o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos, quanto a modicidade tarifária e de outros preços públicos, mediante mecanismos que induzam a eficiência e eficácia dos serviços e que permitam a apropriação social dos ganhos de produtividade.

O licenciamento ambiental de unidades de tratamento de esgoto sanitário e de efluentes gerados nos processos de tratamento de água considerará as etapas de eficiência, a fim de alcançar progressivamente os padrões definidos pela legislação ambiental e os das classes dos corpos hídricos receptores. O decreto já está em vigor segundo reportagem de Roseli Ribeiro.

PLANO DE AÇÃO


Título:

MELHORIAS NA SAÚDE PÚBLICA – REDE DE ESGOTO 100%
Identificação do/a cursista:
Nome:
Órgão em que trabalha:
Cargo:
Função:

Município:
Observação (caso seja necessário):
Nome do Polo ao qual se vincula:
Nome da professora on-line:
Data de finalização do Modulo 2:

Karla Cristina de Abreu Quintela
Governo do Estado de MG e ES
Professora/Economista
Professora de Matemática, Econômia, Marketing e Empreendedorismo.
Baixo Guandu



UAB - Baixo Guandu
Adriana Pereira Leite

30/09/2011
Objetivo Geral da ação:

Fazer um estudo detalhado das áreas da cidade de  Baixo Guandu com rede de esgosto a céu aberto, fotografar, fazer um relatório técnico do estudo realizado e repassá-lo para o prefeito municipal e/ou camara dos vereadores para implantação de interceptores, estação de tratamento de esgoto, rede de esgoto e saneamento básico 100%.
Cobrar parecer do prefeito, soluções para que a cidade tenha tratamento de esgoto e saneamento básico na sua totalidade.
Justificativa:
Políticas públicas em saúde são entendidas como ações e serviços prestados a população também em saneamento básico e demais serviços que melhorem a qualidade de vida da população, sendo assim após vários estudos e pesquisa de campo coforme fotos apresentadas no final deste plano de ação, detectou-se as condições de saneamento básico de alguns bairros da cidade que atende 95% da população e não dispoe de interceptores e estação de tratamento em sua totalidade, sendo parte dos efluentes coletados lançados “in natura” em diversos pontos, conforme indica o Estudo de Viabilidade:
 Qualidade de Vida III – Saneamento,  disponibilizado pela UHE de Aimorés. Justifica-se a implantação deste programa pelo fato identificado através de fotos, que após implementação e conclusão trará benefícios para melhor qualidade de vida da população menos favorecida e discrinada, diminuindo assim alguns problemas de saúde.
Descrição da ação:

Identificação das áreas que se encontram com esgoto a céu aberto;
Identificação de áreas (residências) onde não tem rede de esgoto e saneamento básico;
Fotografar;
Pesquisa com a população;
Elaborar relatório técnico;
Encaminhar relatório para associação de bairros, camara dos veriadores e prefeito municipal;
Buscar parecer do prefeito municipal, solução e prazos para  solucionar o problema.
Cronograma  
Para planejamento:
Para execução:


4 meses

População beneficiada
População da área urbana da cidade, desde que parte da cidade é cortada por um córrego onde o mau cheiro é insuportável devido ao esgosto que nele é lançado.
FOTOS






Nota-se que algumas obras já foram iniciadas




O esgoto das casas caem nesse córrego


Córrego deságua no Rio Doce 










terça-feira, 2 de agosto de 2011

EXTREMA POBREZA E  PROGRAMA BRASIL SEM FOME 

Por Karla Cristina de Abreu Quintela




De acordo com as informações do censo 2010, divulgadas pelo Instituto Brasileiro de  Geografia e Estatística – IBGE, o Brasil tem uma população de 190.755.799 habitantes, 8,5% da população, os  16,267 milhões de habitantes vivendo na extrema pobreza, sendo 4,8 milhões sem nenhuma renda e 11, 4 milhões com renda per capta até R$ 70,00 por mês, critério apresentado pelo o Ministério do Desenvolvimento Social e calculado pelo IBGE.
Os que declaram não ter renda vivem em condições de miséria, sendo em áreas urbanas e rurais, não tendo acesso a rede de esgoto e água tratada.

De acordo com as informações do IBGE,  dos 16,267 milhões que se enquadram na extrema pobreza, 59,1 % na região Nordeste, 50,9% são jovens até 19 anos, 41% vivem no campo, 70,8% se declaram pardos e negros.

As tabelas abaixo as regiões com maior índice de extrema pobreza por região.


  Esses dados contribuem com o governo através do  PROGRAMA BRASIL  SEM FOME,  sendo melhor distribuidas as ações a serem realizadas de acordo com a realidade de cada estado brasileiro.

A meta do governo agora é tirar essa população da extrema pobreza. 

Segundo a ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Teresa Campello  “ É um plano para todo o Brasil. Acreditamos que de fato será possível erradicar a extrema pobreza no governo da presidente Dilma. É uma meta ousada, um plano complexo, por isso é preciso o envolvimento de todo o país”.

Fonte de pesquisa:
Site: Portal do Governo
G1. Globo
Jornal o Globo
IBGE

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

REALIDADE BRASILEIRA

Texto de: Karla Cristina de Abreu Quintela

Brasileiros se deparam diariamente com situações decorrente da pobreza, onde a maioria da população do país se encontra, isso é visível nos meios de comunicação.

Parte da população acredita que a miséria em que se encontra, milhares de pessoas no terrítorio nacional é causada por falta de vontade, comodismo, preguiça,  ou por pessoas que esperam amparos de programas sociais. Mas não é bem assim, o desemprego nos ultimos anos cresceu paralelamente com a redução dos postos de trabalho, com chegada da era da informação, muitos trabalhadores foram trocados por máquinas e computadores,  uma empresa com uma linha de produção que na década anterior necessitava de mão de obra de 100 funcionários  substituídos por uma equipamento tecnológico que atende as necessidades da empresa contratando apenas  5 a 10  operadores (para troca de turno).  Operador este que necessita de conhecimento técnico  (formação) para operação do novo equipamento e exercício da nova função, e também reduzindo despesas para a contratante. Exemplos como este, que fizeram com que mais pessoas chegassem a classe de baixa renda ou extrema pobreza no país, pois 100 pessoas desempregadas, na maioria das vezes sem qualificação, que por estarem trabalhando a muito tempo em uma determinada empresa, não se preocuparam em se capacitar, pois a maioria esperam apenas a aposentadoria para descansar.  Podemos citar outros exemplos como os bancos que substituíram funcionários por caixas eletrônicos de auto-atendimento. Os casos citados são  fatores que contribuem para que muitos estejam na linha da pobreza.

A realidade é que ainda encontramos pessoas que vivem em baixo de pontes, dormem na rua, sem tento e nem ao menos tem condições de comprarem seu próprio alimento. Sem contar que indivíduos neste estágio da vida tem dificuldades para conseguir trabalho por falta de formação, discriminação ou medo por parte dos empresários devido a violência e falta de referência.  Outro fator atribuído a esses problemas sociais é a má distribuição de renda. Mas, com tudo, ainda encontramos pessoas, que digo, serem verdadeiros artistas, que conseguem através do seu talento ou até mesmo a fé em si mesmo,  sobreviver honestamente nas ruas, como  mostra a reportagem do globo repórter exibida sexta-feira,  29/07/2011. A luta dos guerreiros em busca do sustento. (reportagem na integra)

Embora, o Brasil tenha avançado nos últimos anos na área social, ainda existem outros problemas que afetam a vida dos brasileiros. O governo tem buscado soluções para geração de empregos, o crescimento da economia do país é visível, mas não o suficiente para gerar empregos que atendam a demanda. Sem contar que a boa formação educacional e qualificação profissional são requisitos indispensáveis, que pesam na vida dos desempregados. Desempregados, sem qualificação, fica impossível se qualificar mesmo com as universidades federais, pro-uni, cefets,... Pois, na maioria das vezes, esses desempregados são pais de família e por estarem na classe de baixa renda ou de extrema pobreza, moram nas períferias, e  despesas com transportes impossível quando se tem família para alimentar,   dificultado ainda mais a volta desse individuo para o mercado formal.  Desta forma, alguns optam pelo trabalho informal, sem carteiras assinada, salários menores que um salário mínimo,  sem a garantia dos direitos trabalhistas, passam a fazer bicos, um concerto ali outro lá, para garantir a sobrevivência.

Saúde


Na Saúde, quem tem um plano de saúde ou pertencem a classes média, média alta são atendidos em hospitais particulares dignamente. Já na saúde pública é diferente, hospitais superlotados, sem equipamentos, fechando por falta de profissionais, por falta de leitos, como o Hospital Siderúrgica, em Coronel Fabriciano, que pode ser reaberto em 60 dias. Esse hospital  era responsável por 80% dos atendimentos aos pacientes do Sistema Único de Saúde na cidade do Vale do Aço.  Sem contar, a falta de treinamento de alguns profissionais de saúde, que até para atender ou dar informações, ainda não estão preparados.         

Violência

Tema também abordado nos blogs dos colegas cursistas. A violência não está sendo abordada, somente nas capítais ou cidades de grande porte, mas também nas pequenas cidades do interior. O que era notícias de jornais, revistas e telejornais se tornou realidade nas cidades de Aimorés/MG e Baixo Guandu/ES. Crimes bárbaros,  Homicídios, Latrocínio, Estupro, Corrupção de menores, aliciamento de menores e outros. Que chocam a população pela brutalidade.

A lei existe e é clara, mas faz-se necessário o seu cumprimento. O não cumprimento da lei ou as diversas interpretações que ela permite é que explica o aumento da violência na região. Sem contar o direito que se aplica aos menores infratores que são inimputáveis,  ficando sujeito às normas estabelecidas na legislação especial. (art. 26 e 27 do Código Penal e art.228 da Constituição Federal).

Problemas ambientais


Que afetam a saúde da população, como queimadas, poluição de rios com lixo químico,  domésticos e  hospitalares, ausência de  rede de esgosto em determinada localidades,  ausência de água tratada.


Educação


A região de Aimorés se depara com alguns problemas na educação pública. Prédios que necessitam de reformas ou adaptações para verdadeira inclusão da pessoa com necessidades especiais e mesmo mediante solicitação por escrito, encaminhamento de planejamento e  projetos, ainda estão aguardando deferimento do gestor do órgão responsável.

Professores da rede estadual de ensino da cidade se encontram em greve em busca de melhores condições de trabalho, salário e valorização do profissional de educação.

Faz-se necessário investimento no setor na região.  Excelentes profissionais de educação que estão se especializando ou prestando concursos em outras áreas, desistindo da carreira na educação, por estarem decepcionados devido a desvalorização do profissional de educação (baixos salários, plano de carreira), Como o exemplo de um profissional de educação efetivo (concursado), licenciado em geografia que conclui seu mestrado em aproximadamente 1 ano, mas de acordo com o plano de carreira no estado de Minas Gerais, só poderá incluir o título e começar a receber por ele em 2019, se continuar na carreira do magistério, estará quase se aposentando. Frustações com o sistema, na deficiência da formação do aluno, na falta de interesse e responsabilidade (comprometimento) do mesmo para com a educação que recebe, sendo que alguns, não estão nem um pouco preocupados com o futuro. Em se tornarem profissionais (atuais alunos) competentes, cidadões formadores de opnião.

E devido aos problemas citados, seja na Educação, na saúde, no esporte, bem como o aumento de casos de violência, faz-se necessário o debate, a divulgação, a consciêntização da população e a boa vontade dos governantes não só em priorizar as políticas públicas, mas também garantir a eficiência e eficácia das políticas a serem implantadas.

Fonte de pesquisa:

G1. Globo.com
Wikipédia
http://www.brasil.gov.br/
Código Penal (art. 26 e 27 do Código Penal).
Constituição Federal (art.228 da Constituição Federal).
Estatuto da Criança e do Adolescente
Instituto Brasileiro de Geografia e Estastística

Os dados do Censo e a luta pela construção de uma consciência racial

Postado por: Karla Cristina de Abreu Quintela


Reconhecimento da negritude é um passo fundamental no combate ao racismo e suas conseqüências

Texto escrito por: Wilson H. da Silva da redação.


Assim que os primeiros dados do Censo 2010 foram divulgados, a mídia foi tomada por manchetes destacando que, pela primeira vez desde que se iniciaram os censos demográficos no Brasil, em 1872, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatou que a população autodeclarada branca corresponde a menos de 50% da população brasileira.


Segundo o levantamento, enquanto 47,7% da população se declararam “branca”; 43,1% se definiram como “parda” e 7,3% como “preta”. Ou seja, apenas a soma de “pretos” e “pardos” (50,4%) já compõe uma maioria “não-branca”, índice que fica um pouco mais elevado ao lembrarmos que os que se declararam “amarelos” e “indígena” foram, respectivamente, 1,1% e 0,4% da população. Em números absolutos, entre os pouco mais de 190 milhões de brasileiros, temos hoje cerca de 82,2 milhões que se definem como “pardos”; 14,5 milhões como negros; 2 milhões como amarelos e pouco mais de 800 mil como indígenas. Os que se declaram brancos são 91 milhões, ou seja, cerca de 5,7 milhões a menos que a soma da população afrodescendente.O aspecto mais alardeado pela grande imprensa foi o fato de que, comparado ao resultado do Censo anterior (veja tabela), os dados indicam que, nos últimos dez anos, a queda no número daqueles que se declaram brancos foi acompanhada por um aumento dos que se definem como “pardos”. Essa tendência já vinha sendo apontada desde o início dos anos 2000, tanto pelo movimento negro quanto pelas Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios, PNAD. Além disso, há décadas o movimento negro critica a utilização do termo “pardo” nas pesquisas e considera como “negro” a soma dos que aparecem sob as equivocadas categorias utilizadas pelo IBGE, “preto” e “pardo”.

É evidente que estes números indicam que há em curso um processo de mudança na identidade
 e consciência raciais dos brasileiros. O que uma simples leitura das tabelas não permite, contudo, é analisar a profundidade destas mudanças, seus significados e, principalmente suas conseqüências sociais e políticas.Muitos foram os analistas e setores do movimento negro que se apressaram em concluir que os números são resultados das ações do governo Lula e, principalmente, da existência de programas que incentivam a “afirmação racial”, como o   ProUni e os sistemas cotas de várias universidades públicas.Mas o que estes números indicam é que ainda é preciso muita luta pela construção de uma consciência de racial neste país. E isto, como ensinaram líderes negros como Steve Biko e Malcolm X, é um passo fundamental no combate ao racismo e suas nefastas conseqüências.A negação da negritude. A principal contradição dos números é a que se encontra num dado que, geralmente, é minimizado nas análises burguesas e governamentais: a porcentagem dos que se declaram negros é de ridículos 7,3%.Como pode ser visto no quadro, isto significou um aumento pífio em relação ao Censo de 2000, quando apenas 6,21% da população não se esquivaram de se identificar plenamente como afrodescendente, o que, dentro das equivocadas categorias usadas pelo IBGE, significaria dizer “preto”. Exatamente por isto podemos afirmar que tanto a constatação de que apenas 14,5 milhões de brasileiros se identificam como negros, quanto o aumento de apenas 1,1% deste setor nos últimos dez anos revelam, acima de tudo, uma enorme distorção da realidade e, principalmente, da consciência. Algo que fica escancarado, por exemplo, no caso da Bahia, um estado que se orgulha, com razão, de ser guardião da tradição afro-brasileira: em 2009, pouco mais de 13% dos baianos se identificaram como “preto”; no ano passado, este índice subiu para 17,1% da população (algo em torno de 2,3 milhões). É correto que, para todos nós do movimento negro, este número tem que ser somado aos 82,2 milhões que se declararam “pardos”. Contudo, é evidente que o fato do movimento considerar os “pardos” como negros não significa que os e homens e mulheres que definiram desta forma têm a mesma consciência. E, por isso mesmo, antes de encararmos esta contradição, o mais correto seria se perguntar o porquê de, num país com o nosso histórico, há tão poucas pessoas que se identificam como “negras”, enquanto um número crescente se refugia numa categoria tão “problemática” quanto “pardo”.Até mesmo os aspectos mais lamentáveis da nossa história servem como prova inconteste de que aqui sempre houve uma predominância de negros e negras e seus descendentes. Algo que sequer precisaria ser “legitimado” por um censo. Afinal, não poderia ser outro o malfadado resultado do fato do Brasil ter servido como destino para o maior número de pessoas sequestradas da África e, ainda, ter sido o último do mundo a estancar o tráfico negreiro e abolir a escravidão. O único saldo “positivo” que poderíamos tirar desta tragédia histórica seria exatamente o fato de termos orgulhos de sermos herdeiros de um povo que sobreviveu, apesar de tanto sofrimento. De termos orgulho de sermos “negros”. Algo que seria fundamental para que pudéssemos fazer justiça aos nossos antepassados, destruindo o racismo que tem marcado seus descendentes. Pardo: a cor da contradição. A maioria dos analistas preferiu se deter na hipótese mais “positiva”, celebrando o fato de que, em dez anos, houve um aumento de 16,9 milhões de brasileiros que já assumem a mestiçagem como parte de sua herança racial, já que, em 2000, os “pardos” correspondiam a 38,45% da população (cerca de 65 milhões) e, em 2010, este grupo subiu para 43,1% (pouco mais de 82 milhões).Contudo, por mais simpática que esta hipótese seja, ela não nos ajuda a encarar o debate necessário para um verdadeiro combate ao racismo. O termo “pardo” em si é bastante problemático e o simples fato de que ele ainda seja usado por pesquisas realizadas por governos pretensamente identificados ao combate ao racismo, como se dizem Lula e Dilma, é um escândalo.O fato de o movimento negro há décadas não considerar “pardo” como uma categoria racial tem a ver principalmente com a compreensão, corretíssima (e facilmente comprovada pelas ações policiais) de que, parodiando um famoso ditado, no Brasil, no fim das contas (e, na porta do banco, na fila do desemprego e para efeito de pagamento dos piores salários, etc, etc), todos pardos são negros.Mas não é só isto. O próprio termo está contaminado de significados que reforçam a ideologia racista. Basta lembrar que a origem da palavra está associada aos leopardos, os “leões manchados”, como os povos antigos identificavam os animais. E já nesta época a palavra referia-se às idéias de “mácula” e “mancha”. Característica que foi reforçada no Brasil Colonial, quando o termo passou a ser utilizado para se referir a algo “sujo”, “manchado”.E, daí, foi um pulo até que a palavra fosse utilizada para aqueles que resultaram de relações nas quais brancos deixaram-se “macular” e “sujar” pelas peles negras.Por estas e outras é necessário muito esforço para enxergar algo de totalmente positivo na autodefinição, principalmente porque sabemos que, devido à ação da própria burguesia, a grande maioria dos descendentes de negros que se identificaram desta forma tem visão completamente distorcida de sua identidade racial.Todos os pardos são negros. E negra é a cor da liberdade. Por fim, também vale dizer que não é correto tentar interpretar os resultados do Censo como fruto uma questão de simples “auto-estima”. Para nós, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU e militantes do Movimento Quilombo Raça e Classe, a verdadeira “auto-estima” só será demonstrada quando conseguirmos conquistar todos para a ideia de que “todos os pardos são negros”. Algo que consideramos como parte fundamental do combate de “raça e classe” que tem que ser travado contra o sistema que criou esta mesma categoria. Primeiro, porque definir-se como negro, numa sociedade como a nossa, já é uma forma de rebeldia contra a ideologia dominante. Segundo, e ainda mais importante, assumir a “negritude” é um elemento fundamental para se compreender a íntima relação que a opressão racial tem com a exploração capitalista.Há décadas as elites dominantes, e agora seus aliados do PT e do PCdoB, têm se utilizado da categoria “pardo” para mascarar que os mais miseráveis entre os miseráveis são “negros”. E são “negros” não só por sua herança étnica ou por terem um tom de pele um pouco mais escuro que a média. São “negros”, primeiro, diante dos olhos das elites, das forças policiais, dos skinheads e fascistas de todas as tonalidades (de Bolsonaro aos fundamentalistas cristãos), pelos empregadores na hora da seleção e, também, pela mídia que nos exclui de suas páginas e telas. Ou seja, por mais que os que se definem como “pardos” procurem, consciente ou inconscientemente, negar sua própria identidade racial, é exatamente por serem vistos como “negros” que eles têm sua vida marcada pela opressão e pela exploração.Afinal, não pode ser uma coincidência que seja exatamente nas regiões onde se concentram a enorme maioria de negros e “pardos” que se verifiquem os piores índices sociais. Apenas como exemplo, vale citar alguns dados revelados por uma pesquisa do próprio IBGE, em base ao PNAD, em 2009. O Maranhão que, ao lado da Bahia, é um dos estados com maior concentração de afros-descendentes apresentam alguns dos índices mais lamentáveis em relação às condições de vida. A taxa de mortalidade infantil (número de crianças mortas no primeiro ano de vida, em mil nascidas vivas), por exemplo, ficou em 36,5 em 2009, a segunda mais alta do país, ficando logo atrás de outro estado “pardo”, Alagoas, onde, para cada mil crianças nascidas vivas, 46,4 morrem antes do primeiro ano. O terceiro colocado também é um estado de forte presença negra, Pernambuco, com taxa de 35,7. Já em relação ao analfabetismo, naquela pesquisa, os quatro estados com piores índices também são conhecidos por sua concentração de “pardos”. Em primeiro lugar está Alagoas, onde 24,6% da população com mais de 15 anos não sabem ler ou escrever. Depois vêm o Piauí (23,4%), a Paraíba (21,6%) e o Maranhão (19,1%). Todos eles muitíssimo acima da média nacional (cerca de 10%).Perceber esta relação é fundamental, mas não é tudo. Para nós, a necessidade de convencer cada um dos “pardos” sobre sua negritude tem uma importância ainda maior. É parte fundamental da luta pela consciência para engajá-los no combate contra esta exploração que também se alimenta do racismo. O fato de que uma maioria do país, hoje, já se identifique como “não-branco” apesar de todos os esforços da elite racista não pode, em hipótese alguma, ser menosprezado. Mas, também, não é para ser supervalorizado e sim tomado como uma contradição que só pode ser superada na luta contra a ideologia e o sistema que, ainda hoje, distorcem a realidade racial deste país.O que precisamos e queremos, pois, são “negros” que se orgulhem do verdadeiro significado deste termo em nossa história: ter o orgulho de ser herdeiro de milhões tiveram suas vidas ceifadas ou lutaram até a morte para conquistarem a liberdade e os direitos que lhes foram negados exatamente por serem negros. Ter orgulho de fazer parte da história de gente “negra”, como Zumbi, João Cândido, Malcolm X e Steve Biko; Dandara, Luiza Mahin ou Ângela Davis. 

sábado, 23 de julho de 2011

Pobreza, gênero, raça/etnia, políticas públicas .... alguns conceitos.


Por: Karla  Cristina de Abreu Quintela


Quando se fala sobre pobreza, gênero e raça/etnia no contexto rural e urbano, faz-se necessário evidenciar alguns conceitos incluindo o de políticas públicas:

Gênero: Engloba todas as características básicas que possuem um determinado grupo ou classe de seres. Conjunto de seres que têm a mesma origem ou que se encontram ligados pela semelhança de suas principais características. Identificação social em relação ao sexo (masculino ou feminino).


Raça: Diferentes populações de uma mesma espécie. Compreende apenas fatores morfológicos como a cor de pele, constituição física, estatura e traço facial. Usá-se em política quando se pede igualdade racial ou na legislação quando se fala em preconceito de raça, como  prevê a lei 12.288 de 20 de Julho de 2010,  que institui no Brasil o estatuto da igualdade racial (Raça, cor de pele).

Etnia: Compreende apenas fatores culturais tais como a nacionalidade, afiliação tribal, religião, língua e as tradições.

Políticas públicas:  como tudo aquilo que o governo (municipal, estadual ou federal), faz no que diz respeito as leis, medidas reguladoras, decisões e ações,com vistas ao bem coletivo. Podem ser desenvolvidas em parcerias com organizações não governamentais.

Políticas públicas intersetoriais:  Atuam em diversos setores como: político, técnico e administrativos; Em  diferentes áreas como: saúde, educação, meio ambiente,  planejamento  e assistência social . Agregam setores  diversos e várias áreas, permitindo maior  utilização do conhecimento e  experiências acumuladas, colaborando para o alcance de metas comuns.

Políticas de Governo:   É  o conjunto de filosofias, ideais, planos e medidas que compõe uma gestão pública. Influenciada por diversos fatores incluindo as relações partidárias, alianças políticas, apoio de instituições privadas e da própria sociedade civil.

Políticas afirmativas: são medidas especiais e temporárias, tomadas ou determinadas pelo estado, com o objetivo de eliminar desigualdades historicamente acumuladas, garantindo a igualdade de oportunidades e tratamento, bem como de compensar perdas provocadas pela discriminação e marginalização, decorrentes de motivos raciais, étnicos, religiosos, de gênero e outros. Visam combater os efeitos acumulados em virtude das discriminações ocorridas no passado.

Sociedade Civil: se refere à totalidade das organizações e instituições cívicas voluntárias que formam a base de uma sociedade em funcionamento, por oposição às estruturas apoiadas pela força de um estado (independentemente de seu sistema político).

Desigualdade social: É uma diferença que os indivíduos e grupos sociais julgam segundo escalas de valor. Se resume, em muitos com pouco e poucos com muito; ela acontece quando a distribuição é feita de maneira inadequada, portanto, injusta, sendo que enquanto a maior parte do dinheiro fica com a minoria, a maioria sofre com a divisão salarial.

Direitos Humanos: são os direitos e liberdades básicos de todos osseres humanos. Normalmente o conceito de direitos humanos tem a ideia também de liberdade de pensamento e de expressão, e a igualdade perante a lei.

Diversidade: É tudo aquilo que abrange cultura, raça, credo e etnia. Diferentes formas de pensar e agir. Inclusão racial, econômica e social.'

Justiça social:  É uma construção moral e política baseada na igualdade de direitos e na solidariedade coletiva.  
Em termos de desenvolvimento, a justiça social é vista como o cruzamento entre o pilar econômico e o pilar social.

Sexismo:  É termo que se refere ao conjunto de ações e ideias que privilegiam entes de determinado gênero (ou, por extensão, que privilegiam determinada condição sexual) em detrimento dos entes de outro gênero (ou condição sexual).

Com a leitura dos conceitos ficará mais fácil o entendimento e a abordagem do nosso tema:

Pobreza, gênero e raça/etnia no contexto urbano e rural: Perspectivas de gênero e raça/etnia na saúde pública.


Fonte de pesquisa:  Wikipédia:  http://pt.wikipedia.org